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Fotoproteção na criança
Departamento de Dermatologia da SBP

(atualizado jul/2015)

A incidência de câncer de pele vem aumentando ano a ano. Nos EUA já são um milhão de novos casos todos os anos e é sabido que 90% dos carcinomas da pele tem como causa a exposição solar.

O efeito da radiação é acumulativo, isso quer dizer que o sol que recebemos desde a infância até a idade adulta só irá mostrar seus efeitos a longo prazo, com envelhecimento precoce e o potencial surgimento do câncer. O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele é a radiação ultravioleta (UV), e a exposição precoce e intensa durante a infância.

Por isso, a proteção solar é obrigatória nessa faixa etária, e a responsabilidade dessa ação é principalmente dos pais e cuidadores.

Alguns fatores de risco para o câncer de pele:

– regiões ensolaradas são as de maior incidência deste tipo de câncer;
– indivíduos de pele clara;
– cabelos loiros, ruivos ou castanhos claros;
– olhos claros;
– história familiar de câncer de pele;
– períodos longos de exposição ao sol diariamente ou curtos períodos de exposição solar intensa;
– grande quantidade de sardas.

 

Orientação quanto à proteção solar:

• Durante os seis primeiros meses de vida os bebês não devem ser expostos diretamente ao sol. A partir dos seis meses e até o primeiro ano de vida, as exposições solares devem ser curtas e em horários apropriados (até às 10h e após as 16h), sempre com a utilização de protetor solar.

• Durante exposições solares prolongadas (praias, clubes, piscinas) é preciso usar chapéus e roupas adequadas, e procurar deixar a criança na sombra ou sob o guarda-sol pelo maior tempo possível.

• Para as crianças maiores e adolescentes, é recomendado também o uso de óculos de sol.

• A água e a areia (assim como o cimento e a neve) refletem os raios solares e podem contribuir para a ocorrência de queimaduras.

• Os protetores solares contêm substâncias que absorvem e bloqueiam as radiações UV. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que abaixo dos 6 meses sejam utilizados também bonés, roupas, guarda-sol ou sombrinha.

• Dos 6 meses aos 5 anos de idade, recomenda-se o uso dos filtros infantis, que geralmente contêm menos substâncias químicas prejudiciais à pele da criança. Costumam ser mais espessos e possuir coloração esbranquiçada ou rosada.

• O filtro solar ideal deve ter amplo espectro (bloquear tanto radiação UVA quanto UVB), custo acessível, ser fácil de espalhar e ser resistente à água. Não existem filtros totalmente à prova d´água, e eles devem ser reaplicados depois de entrar na água ou quando a criança sua muito, sempre secando bem a pele antes de reaplicar o protetor.

• Os filtros solares diferem entre si nos tipos e concentrações dos ingredientes utilizados na sua fabricação. Geralmente os filtros acima do número 15 fazem uma proteção suficiente por até 2 horas.

• Outro fator que interfere na efetividade do filtro solar é a quantidade aplicada. Normalmente aplicamos uma quantidade bastante inferior àquela necessária. Uma regra prática para saber quanto se deve colocar de filtro é a de se utilizar dois "dedos" (ou duas colheres de chá) para cada "nove" das áreas representativas do corpo, conforme a figura abaixo:

Por exemplo: numa criança (figura da direita) quatro colheres de chá para a região da frente do tronco, quatro para a parte de trás, duas colheres de chá para a parte da frente de uma perna, duas para a parte de trás, uma colher de chá para a parte da frente do braço, duas para o rosto, etc.

• É importante não esquecer das orelhas, o dorso dos pés, a região atrás dos joelhos e o rosto (evitando a área muito próxima aos olhos). No nariz e nos lábios podem ser utilizados protetores em bastão (e também no rosto caso fique mais fácil a aplicação).

• Diferentes tecidos conferem proteções diferentes. Camisetas de malha branca e tecidos molhados ou com tramas largas, protegem menos. Tecidos de trama mais fechada e cores escuras protegem mais. Lembre que existem tecidos que contêm substâncias fotoprotetoras.

• Alguns medicamentos e alimentos podem causar reação quando em contato com o sol. Alguns antibióticos e antialérgicos, suco de frutas cítricas e plantas leitosas podem provocar reações na pele.

• Não se recomenda a exposição deliberada ao sol sem proteção, com intuito de estimular a síntese de vitamina D. Sabe-se que a radiação necessária para isso é a UVB, que está presente nos horários de pico. Caso haja deficiência dessa vitamina, recomenda-se a reposição oral.

 

Alguns conselhos úteis:

• EVITE EXPOSIÇÕES PROLONGADAS E REPETIDAS AO SOL. Queimaduras solares acumuladas durante a vida predispõem ao câncer da pele.

• EVITE SE EXPOR AO SOL NAS HORAS PRÓXIMAS DO MEIO DIA. O horário entre 10 e 15 horas tem grande incidência de raios UVB, principais responsáveis pelo surgimento do câncer de pele.

• USE SEMPRE guarda-sol, bonés, viseiras ou chapéus. Cerca de 70% dos cânceres da pele ocorrem na face, proteja-a sempre. Não se esqueça de proteger os lábios e as orelhas.

• APLIQUE GENEROSAMENTE O FILTRO SOLAR 20 A 30 MINUTOS ANTES DE IR PARA O SOL. Este é o tempo necessário para a estabilização do protetor solar na pele, de modo que sua ação seja mais eficaz.

• PELES CLARAS EXIGEM MAIORES CUIDADOS, pois são mais propensas ao câncer da pele.

• MORMAÇO TAMBÉM QUEIMA. Em dias nublados, cerca de 40 a 60% da radiação solar atravessa as nuvens e chega à Terra, portanto, use filtros solares também nestes dias.

• FILTRO SOLAR SE USA DIARIAMENTE. Lembre que todos os dias estamos expostos ao sol, seja dentro do carro, na hora do almoço, no recreio ou nas atividades desportivas ou de lazer.

• Use a regra da sombra: quanto maior, melhor.

• CÂMARA DE BRONZEAMENTO TAMBÉM PREDISPÕE AO CÂNCER DE PELE. Não existem câmaras com “raios bons”. A utilização das câmaras de bronzeamento é PROIBIDA no Brasil.

• A PROTEÇÃO DAS CRIANÇAS É RESPONSABILIDADE DOS PAIS. Cerca de 75% da exposição solar acumulada durante a vida ocorre dos 0 aos 20 anos de idade. Faça a sua parte!

• O filtro solar não é o causador da deficiência de vitamina D.

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